sexta-feira, 4 de junho de 2010

A Menina do Mundo Cor-de-Rosa

Sinto saudade de como eu era, de como via as coisas de um modo tão singelo, daquele mundo cor-de-rosa todo pintado por mim, de ser feliz sozinha, de "ter em mim, todos os sonhos do mundo", de retribuir sempre de forma verdadeira e instantânea a qualquer sorriso que me fosse oferecido, de contentar-me apenas com a presença sem a necessidade de falar, de dar toda a importância que eu podia a tudo que eu tinha ou fazia, de ser pequena, protegida, embalada...
O vento no cabelo, um pirulito em formato de coração, um leve abraço, um pequeno livro, um olhar de interesse, tudo isso me fazia imensamente feliz em sua simplicidade, me tirava da realidade para levar-me de volta ao mundo por mim pintado.
Mas... Cresci... Passei a ser tão mais realista, a ponderar mais as palavras, a comer menos doce, a escrever menos, a ler livros mais complexos, a não dar mais tanto valor as coisas simples.
 Entretanto, ser pequena, frágil, me fazia tão feliz...
Quero crescer mais então, já que não posso voltar ao passado, por mais feliz ou gratificante que tenha sido, então crescerei ainda mais, não para tornar-me ainda mais responsável ou para me preocupar ainda mais com as coisas "importantes", mas para que eu possa ter de novo a simplicidade de alguém que sonha, que tem algo a alcançar...
Quero crescer, quero que meu coração cresça, quero vê-lo se expandir para que de dentro de si possa brotar sonhos lindos e novos... Ah! Quão lindos e novos serão tais sonhos, reacenderão aquele esperança presente em meus outrora inocentes olhos infantis. A cada dia contemplo meu reflexo refletido no espelho, uma feição por vezes cansada, um olhar um tanto perdido e ponho-me a relembrar meus dias passados, meus erros, minhas conquistas, lágrimas e sorrisos... Assim olhando-me tão profundamente vejo que essa simplicidade que em mim podia ver-se tão nitidamente está apenas apagada, não dissipada e a cada momento vivido, a cada novo anseio, sinto brilhar e resplandecer a menina do mundo cor-de-rosa que sempre esteve e eternamente permanecerá dentro de mim...

terça-feira, 4 de maio de 2010

O sonho de Escrever

Quando escrevo
Saio de mim
Vôo ao longe
Me perco em ti

Suspiro, choro, sorrio
Sem ao menos me mover
Preencho algo vazio
Que pensei não ser possível preencher

Sonho de olhos abertos
A realidade que inventei
Em meus devaneios incertos
Encontro o que procurei

Uma leveza de mim transborda
Permitindo-me flutuar
Saindo por aquelas portas
Que me impedem de voar

Amo cada palavra que existe
Elas me permitem transbordar
Deixar esta perspectiva tão triste
Que a realidade insiste em querer rememorar...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Diálogo Noturno

* Liberdade tem mais a ver com o que há dentro de nós, do que com as paredes ao nosso redor...

** Liberdade tem a ver com maturidade e confiança...

* Maturidade, confiança... Tem muito a ver, já me achei tão madura, mas sempre há o que aprender...

**A confiança é a parede e dela vem a maturidade que vai habitar dentro de nós...

*Paredes nos prendem e nos levam a amadurecer através do que já há dentro e nós e que se estivéssemos soltos não enxergaríamos jamais...

** Quando as paredes proporcionam confiança necessária para enxergar a maturidade latente dentro de nós, elas se tornam desnecessárias...

* Mas até a alcançar plenamente, ficamos limitados as nossas paredes, buscando enfim a maturidadeque nos libertará...