sábado, 7 de novembro de 2009

À uma Amiga Distante II


Deixei escorregar por entre meus dedos sua amizade
Tanto quis conversar ali com você
Mas em todas essas, fiquei apenas na vontade

Só quando você partiu
Tomei coragem pra dizer
Que eu não conseguia por nenhum instante te esquecer

Foi longo o caminho até nos tornarmos um pouco mais próximas
Apenas quem lia atentamente as entrelinhas
É que poderia saber

Através dos olhos
Totalmente opostas
Mas de coração sempre dispostas

Dispostas a conversar, sentir, escrever
Sempre parecidas
Quem irá entender?

Somos as mais próximas "amigas distantes"
Juntas de coração
Tão díspares, porém tão semelhantes

Assim mesmo construímos essa história
Que ainda não acabou  e nem acabará
Pois estará sempre em nossa memória

E juntas aprendemos
A nos ajudar na adversidade
E que não importa a distância ou as dificuldades
Nós somos realmente AMIGAS DE VERDADE...

À uma Amiga Distante I




Num tempo longínquo
Onde tudo era ao contrário
E a minha volta tudo parecia oblíquo

Perdida em mim, díspar do que hoje é
Olhava-te ao longe
Com seu entusiamo de mulher

Conversas altas e interessantes
Olhos curiosos, atentos
Mantinham-se fixos, entretanto distantes

Medo, vergonha, inibição
Não sei bem como definir o porquê de eu estar tão encabulada
Preferia não me enturmar e admirá-la ao longe, a me sentir mais envergonhada

Queria mesmo entender
O "Allez Mademoiselle" da professora
Que me fazia sempre perguntar: "Qu'est-ce que c'est"?

Meus pensamentos estavam a mil
Tinha tanto com que me preocupar
Então lhe direcionava apenas um sorriso sutil

Foram dias, semanas, meses
Algo me fazia querer ouvir o que você tinha à dizer
Porém isso eu jamais deixava transparecer

Não sei ao certo porque
Queria chegar mais perto
Mas algo me mantinha longe de você

Foram seis meses em que apenas mirava-te ao longe
As vezes trocava uma ou duas palavras contigo
Parecia um bichinho com medo de ser atingido

Acabou-se o semestre e você se foi
Achei que voltaria
Mas quando eu voltei, só pude encontrar ali a falta que você fazia

Mais três semestres se passaram
E ali você não voltou
Somente o arrependimento de não ter sua amizade foi o que ficou

Perdi até hoje não sei porque
A chance incrível
De conhecer você...

Peculiaridade de um Olhar

Menina dos olhos grandes e brilhantes
Como és um mistério
Cheia de desejos inconstantes

Há tanto pra se falar
Porém você diz, nunca ter nada a dizer
Deixando sempre uma interrogação no ar

Dois pontos tatuados no seu rosto tão belo
Denunciam palavras prontas à sair
Mas você, com um sorriso singelo, nunca quer admitir

Fale! Peço-te agora
Pois ainda não dá pra entender
São apenas os seus olhos que falam por você

Perdoe-me por não saber mais de ti
Quando acho que te desvendei
Você se põe a falar e vejo que me confundi

Por isso és assim tão peculiar
Só você tem esses dois pontos
Que conseguem me enganar

Eles fingem que você irá se expressar
Mas com as palavras
Você diz não se identificar

Assim com essas pérolas no rosto
Você segue a conquistar
Adeptos dessa incógnita, que você carrega no olhar

Mas um dia menina dos olhos grandes
Eu irei descobrir
O que se passa no mais profundo de ti

Então prometo a ninguém mais revelar
O mistério que carrega
A menina do mais belo olhar...